Gado SenepolO desafio para o aumento na lucratividade da pecuária de corte é muito grande e, muitas vezes, é erroneamente comparada com as melhores práticas da agricultura.

Neste contexto, muito se fala em pesquisas com foco na cria e terminação, fases importantes sim, mas longe de serem as únicas chaves para o sucesso econômico na produção de bovinos destinados à cadeia da carne.

No sistema de produção de bovinos de corte fica evidente a lacuna da recria, fase que por ser pouco tecnificada e estratégica aos olhos dos produtores, parece longe do momento de geração de caixa.

Vamos entender porque esta fase é o momento de alavancar a lucratividade do sistema produtivo.

Animais jovens até o final da puberdade (que no caso dos bovinos pode ser até 18 meses de idade) possuem maior potencial de crescimento, período em que a nutrição é o principal influenciador, considerando a sanidade em condições normais. Ao longo de um ano ocorrem variações na quantidade produzida e também na qualidade das forragens. Assim, as estratégias de suplementação são fundamentais para o sucesso da atividade.

Com o objetivo de garantir o máximo retorno econômico por área na recria, a Premix, indústria brasileira de nutrição animal bovina que atua há mais de 40 anos no mercado, buscou alternativas estratégicas viáveis para manter bons índices produtivos e com lucratividade durante o período das águas e também na seca.

Para isso, é necessário compreender o ciclo das pastagens e assim poder realizar o planejamento estratégico de utilização e manejo do pasto, bem como da suplementação. A seca é caracterizada pela diminuição na produção e valor nutricional das forragens que acontece devido a senescência da planta (final do ciclo) associada com a diminuição nos índices pluviométricos, redução da temperatura ambiente e menor fotoperíodo (dias curtos).

O diferimento estratégico de pastagens pode ser uma alternativa para suprir a oferta de pasto no período seco, porém, é necessário aumentar a lotação em algum ponto da fazenda. Logo, com esta técnica, a propriedade deixa de ofertar uma forragem com alto valor nutricional para ofertar quando ela está no final do ciclo, deixando-a exposta a problemas, devido ao aumento de pressão de pastejo. Problemas climáticos como geadas e chuvas fora de período podem ocorrer prejudicando esta estratégia.

A integração lavoura e pecuária, e ou pastagens de inverno, podem ser complementares ao sistema quando a região for favorável no quesito clima.

A Premix, pensando na melhor alternativa para suplementar a carência dos nutrientes no período seco, mantendo bons ganhos de maneira eficiente e rentável, desenvolveu o Protocolo R30.

O Protocolo R30 parte do princípio de se manter a produtividade do rebanho no período seco, podendo produzir pelo menos [email protected]/ha/ano durante 12 meses de recria. Para isso, é necessário complementar a oferta de volumoso na época seca em combinação com o proteico energético PSAI, aditivado com o Fator P, tecnologia 100% natural que favorece o ganho de peso em até 20%, melhora a reprodução das matrizes e pode reduzir o manejo sanitário, melhorando a saúde natural, que naturalmente aumenta a resposta imunológica do animal.

Dois fatores são fundamentais para o projeto:

Implementar integração de lavoura ao sistema e ajustar o manejo nutricional da pastagem.

O manejo de pasto é muito importante para sucesso do Protocolo R30 para o qual a referência é a quantidade de folhas disponíveis e a qualidade das folhas.

Outro princípio deste projeto é de utilizar o conceito de “Unidades Produtivas”, representando um animal (cabeça), cujo foco é a produção de arrobas por hectare por ano. Assim, os ganhos por hectare são a consequência dos ganhos individuais somados. Veja:

R30 = (∑ ganhos individuais) / ha

Mas como o produtor consegue aumentar a rentabilidade? Veja:

  • Aumento dos ganhos individuais: suplementação estratégica durante todo o período de 0,3% a 0.4% em relação ao peso corporal dos animais (PSAI com Fator P);
  • Aumento das unidades produtivas (mínimo de 4 animais/ha/ano) com incremento da lotação (pós desmama em recria);
  • Ajuste no manejo nutricional da pastagem para melhorar a qualidade e a quantidade produzida.
  • Correção do solo: calagem e fosfatagem, se necessários
  • Adubação: fornecer nitrogênio para elevar lotação para o nível de 4 animais que deverão iniciar aos 190 Kg e terminarem aos 430 Kg, considerando o suporte normal da área, e para cada animal a mais, 40 Kg de Nitrogênio por hectare aplicado em duas vezes.
  • Conservação de forragens (silagens ou fenos) para complementar a oferta de volumosos durante a época seca. Neste momento, calculamos quanto de lavoura de milho devemos integrar. Pelas pesquisas desenvolvidas pela Premix, em uma condição mediana de produção, cada hectare de lavoura suplementa 30 animais.

Portanto, é necessário combinar a suplementação com linha PSAI aditivada com Fator P, aumento de animais em recria, manejo de pasto e complementação de volumoso na época seca.

No Centro de Pesquisas da Premix, localizado no município de Patrocínio Paulista (SP), foi realizado o desenvolvimento do Protocolo R30. Foram utilizadas 4 unidades produtivas por hectare, em pastejo contínuo, utilizando-se como forragem Brachiaria brizantha.

Como suplemento foi utilizado a linha PSAI aditivada com Fator P durante 12 meses com oferta limitada de 1,25 Kg/animal/dia. Os piquetes de Brachiaria brizantha foram adubados com 80 kg de nitrogênio por hectare, considerando que o solo já estava corrigido. A complementação do volumoso durante a época de seca (130 dias) foi de 8 Kg de silagem com o suplemento na própria pastagem.

 

Finalizado o ciclo de recria é importante terminar os animais em outra área para dar início novamente ao Protocolo R30. Com uma recria eficiente e lucrativa a terminação pode ocorrer em semiconfinamento, confinamento próprio ou terceirizado, pois o lucro dos animais já foi garantido na fase recria, sendo menos dependente do mercado de comodities.

André Pastori D'Aurea é zootecnista, doutor em nutrição animal e consultor técnico da Premix.

 Msc. Lauriston Bertelli Fernandes. Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix.